Sábado, 27 de Junho de 2009

Audição



Tenho muito pensado sobre a audição.
Meu pai é otorrino e músico. Ele tem ouvido quase absoluto. Tira qualquer música e sente-ouve sempre a nota que está faltando num acorde, mesmo mal sabendo o nome das notas no instrumento.
"Filha, coloca uma sexta, ou sexta menor, sei lá, que fica melhor..." E lá vou eu, catando no braço do violão a nota a que ele se refere, até ele validar qual é. E o acorde se completa como louro no feijão, como queijo na goiabada... como é que podia eu tocar aquela música sem aquela miserável e crucial nota?
Lembro como se fosse ontem o trabalho que fiz na sétima séria sobre audição... fomos até o consultório e ele nos mostrou um molde muito bonito que imitava um ouvido humano por dentro, com peças de encaixar, bem maiores do que o tamanho real, para visualizarmo melhor cada parte. Ele explicou todo o processo mecânico e fisiológico da audição. Fascinante saber que existem ossos, membranas, nervos, liquidos, cristais e ondas nervosas envolvidos num processo que era, antes, para mim, tão banal.
Ouço há muitos anos e de muita gente que meu pai é um médico louvável. Estou segura que isso se deve à sua capacidade de acolher as pessoas. Delicado, carinhoso, bem-humorado ... Ás vezes penso que ele ouve as questões alheias até demais. E fico a me recordar do que ele me ensinou enquanto me dava as diretrizes de como tirar a pressão insuportável do ouvido, que me acometia enquanto o avião pousava em Fernando de Noronha, há 11 anos.
"O que acontece é que a altitude causa um desequilíbrio entre a pressão interna do ouvido e a externa... para equaliza-las, voce tem que tentar abrir a trompa de eustáquio, simulando um bocejo, ou tapando o nariz e soprando... assim voce abre um canal para que o ar flua entre o ouvido externo e médio e deixe o tímpano sem diferença de pressão..."
Deixemos de lado a complicação técnica de tudo isso. O fato que quero destacar aqui é: diferença de pressão dentro e fora do ouvido causa um desequilibrio e uma dor insuportáveis...
Se a pressão de ar desequilibra, com certeza outras também o fazem.
Você já parou pra pensar o quanto ouve o mundo lá fora e o quanto ouve o mundo de dentro?
O que recebe e ouve externamente está em equilíbrio com o que ouve do seu interior?
Fàcil seria termos uma trompa que ligasse o excesso de estímulos, de informação, de julgamentos e cobranças... com a nossa organicidade de elaborar tudo isso e com nossos sentimentos... Tenho me atentado muito a isso em meu desafio pessoal de buscar paz diariamente, e tentar perceber os momentos de angústia, de desquilíbrios...
Ouvimos demais, somos cobrados demais, não temos tempo para nós mesmos. Temos?
O resultado disso é, ora sofrer pressão demais e não permitir que o ouvido interno se manifeste (perdendo o contato conosco mesmos), e ora estourmos com o mundo e nos desligarmos dele, tornando-nos quase autistas, individualistas,e, como defesa, acabamos agindo de forma excessivamente egoísta.
Fica como desafio eterno tentar equilibrar o ouvido de dentro com o de fora.
E não faz sentido negar nem um nem outro.
Pois o que somos é o resultado de nossa existência, nesse mundo e nesse momento. Caótico, barulhento, polirítmico...
Eu desejo muito que as pessoas possam pensar sobre isso.
As que se ouvem demais e ouvem o mundo de menos... que elas possam ter a chance de se abrir mais ao mundo... as que ouvem o mundo demais e se ouvem de menos... que elas possam se equilibrar um pouco mais, e entrar em contato com sua audição mais interna, consigo mesmas, com suas melodias mais íntimas, mais essenciais.
Tenho quase certeza que muito da angústia do mundo se encaixa nesse último caso.
O meu pai, por exemplo, embora tenha o ouvido interno para a música, mal consegue entrar em contato com esses momentos.
Está sempre ouvindo o mundo... e passa por muitos momentos de angústia.
Eu queria mesmo descobrir onde fica a trompa de eustáquio que liga o ouvido interno ao ouvido externo a que me refiro, o espiritual...
Ela tem que nome? Tem que forma? Como é que ela se abre?
Talvez antes disso precise ajudar as pessoas a descobrir sua existência. E cada um saberá da sua...
E, para abrí-la, sigo crendo no poder de sempre pra acessar nossos segredos, dores e mistérios imateriais: a arte. Expressão.

Não é por acaso que ao final de cada ano, o nome do momento em que me expresso e concluo os estudos de violão, se chama AUDIÇÃO.

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Eu e a árvore



Ontem, chegando no parque do Ibirapuera por volta das 18h, sob um sol considerável, vi uma menina linda de óculos-fundo-de-garrafa, cabelinho pixaim... uns 5 anos... olhando pra cima com cara de piedade e desesperança. A mãe ao lado, meio sem jeito e sem saber o que fazer, me estanhou quando me pus a olhar pra cima também, pra entender o que estava acontecendo.

No alto de uma árvore alta, de galhos bem mais perpendiculares do que horizontais, se escondia uma bola colorida. Tão graciosa, tão cheia de vida, a bola parecia brincar de esconde-esconde comigo. Foi parar justo na ponta do galho mais alto. Não tive dúvida. O tronco era comprido. A primeira bifurcação de galhos, que poderia servir de base pra alguém nela subir, ficava a quase dois metros do chão...

Logo acima, estava a base do galho em que a bola havia se atracado. Meus olhos raio-x-de-macaca foram rápidos. Era conseguir vencer a barreira do tronco, me apoiar na bifurcação e me pendurar no galho, jogando o peso do meu corpo pra sacudir a árvore toda. Mas, não... parecia muito alto, então minhas pernas bamberam e eu preferi tentar atirar um côco pra derrubar a bola. Passou longe. Então, pedi pra mim mesma "volte praquele pensamento do começo... ao primeiro impulso, que te disse que você pegaria a bola de qualquer jeito"...

A única coisa que eu tinha certeza era que eu não sairia dali sem ver a menina com a bola de volta. Com muito prazer, toquei o foda-se pro medo e pros dois metros. Algo em mim me dizia que, por mais alto que parecesse, aquilo não era maior que a minha
vontade de voltar a subir em árvores e, de bônus, devolver a bola praquela coisinha-de-deus.

Joguei no chão o que tinha na mão. Cheguei aos pés da árvore, olhei pra cima, achei um ramo de galho novo, mais geladinho que a árvore, desses que não se partem à toa, pois não são secos e têm mais elasticidade...Consegui alcançá-lo com o braço direito, e pedi pra árovre que me deixasse apoiar nele. Testei o peso e senti que ele aguentaria um impulso meu.

Então, tomei distância... e saltei. Meti o pé esquerdo no tronco, ao mesmo tempo em que agarrei o ramo com a mão direita e, antes que pudesse perceber, já estava com o corpo quase todo em cima da árvore. Me ajeitei, fiquei de pé ali no alto me sentindo um anjo mais leve e sagaz do que forte e poderoso. Sensação de liberdade. Pedi para que elas, mãe e filha me ajudassem a localizar a bola. Ali do meio eu já não a via direito. E, quando olhei pra baixo vi duas expressões curiosas. A menina, feliz, a mãe, meio sem graça. A mim, me pareceu que ela não entendeu a minha felicidade ao fazer aquilo.

Elas me fizeram um favor tão grande... se não fosse essa bola, não teria revivido sses prazeres da infância, e nem o poder do meu pensamento.

Fucei, cacei com os olhos, com o pescoço (e que pescoço)... Achei a bola. E, apoiando bem minhas mãos sobre o galho onde ela repousava vagabundante, como quem fosse ficar ali pra sempre, joguei meu corpo, balancei, sacudi, dancei valsa, samba, tango e sapateado em cima da árvore. Dançamos juntas. E ela tremeu ainda não sei se de cócegas ou de tanto rir. Aliás, foi de cócegas! Certamente! Só não sei se coçou o corpo ou na alma.

Ela riu de mim. Não de deboche... mas de prazer. Tivemos um momento de extrema cumplicidade. Cumplicidade de uma satisfação bem íntima... minha e dela. Essa árvore...

Sei lá depois de quanto tempo enquanto estava ali, apaixonada pela árvore, ouvi a bola cair. A menina sorriu. Eu, muito mais. Agachei, estiquei os pés, apoiei as mãos e deixei meu corpo ir caindo de volta pro chão. Tomei um mini-capote, que só me serviu pra meter a mão gostoso na terra.

A mulher agradeceu. Eu sorri de volta, e saí pulando de alegria, rumo a minha cotidiana corridinha de 50 minutos ali no parque do Ibirapuera.

Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008

"Os últimos irreverentes momentos da viagem"

Terminado o Congresso, momento de voltar pra casa. Passei alguns apuros e momentos de intensa irreverência (pra variar!) no dia de despedida.

Nos últimos 4 dias, fiquei com o acesso limitado à internet. Meu notebook ficou na sala dos jornalistas, trancado com todos os equipamentos de valor utilizados por nosso grupo, já que praticamente todos os delegados estavam fora de Quebec, trabalhando nos Action Projects (projetos de ação). É por isso que o blog ficou parado.

O trabalho dos jornalistas foi suspenso. Cada um embarcou para um projeto diferente e, eu, como já mencionado em um post anterior, só fiquei na Universidade de Laval porque entrei para o projeto de ação dos artistas do evento, cujo objetivo era ensaiar, produzir a apresentar os shows de encerramento:



Muito forte a despedida. Doloroso dizer adeus para amigos de tantos lugares diferentes, que você não sabe quando, e se verá novamente. Ao mesmo tempo, fica sempre a alegria e a gratidão por ter tido a chance de conhecer pessoas tão interessantes, que abrem sua visão de mundo de uma maneira impressionante, marcante, intensa e bonita.



O saguão da Universidade, antes barulhento, tumultuado e cheio de stands, estava vazio. A cada hora, partia um, dois, três ônibus levando os amigos para o aeroporto. Abraços, lágrimas, sorrisos... No grand salon, em que aconteciam as plenárias e as grandes reuniões, estavam nossas malas.

Fui das últimas a sair, já que permaneci no Canadá por alguns dias. Fazia eco o saguão da Universidade, e isso me deixava ao mesmo tempo um vazio do que ficou no passado, como um espaço para ser preenchido no futuro-presente. Sensação de que tanta coisa nova está por vir. Tantas idéias, tantos contatos, tanta vontade. Como diria Einstein "A mente que se abre para uma nova idéia nunca volta ao seu tamanho original".

Dali da Universidade, eu partiria para a casa de uma casal de empresários, grandes amigos Quebecois. No começo da tarde recebi um email deles, informando que só chegariam em Quebec pela noite, e, então, esperariam meu contato. Para garantir, resolvi procurar uma pousada, hotel, caso eles tivessem algum problema.

Qual não foi minha surpresa quando descobri que o concerto da Celine Dion que aconteceria lá, em comemoração aos 400 anos de Quebec, tinha lotado toda a cidade já há muito tempo.

Para garantir um teto no Canadá, precisei me virar às pressas - com um pouco de tensão. Chamei em Toronto minha amiga Sheeza Sarfraz, pedindo aconchego. Ela é paquistanesa e mora com a família no Canadá há uns dois anos.

Sem titubear, ela disse que ia me esperar no aeroporto com o maior prazer dos últimos tempos... então adiantei meu vôo de volta para o Brasil, que passaria em Toronto de qualquer forma, e fiz uma parada de alguns dias por lá... e em duas horas estava abraçando essa amiga querida que não via desde 2003.



Foi bom, pois acabei voando Quebec-Toronto na companhia dos delegados brasileiros que partiram por último: Paulo e Efraim.

Difícil ter coragem para chegar em um ambiente tão diferente, (como um lar paquistanês), à meia noite, quase "sem avisar", cheia de malas, pedindo cama e um chuveiro quente... Mas a gente percebe que, para uma amizade de verdade, não tem muito disso. E, confesso, nunca me senti tão bem-vinda e tão à vontade quanto esses três dias em que fiquei com a Sheeza.

O lifestyle, fui pegando aos poucos: tirar os sapatos na porta do apartamento, evitar dividir o espaço com os homens da casa, tomar cuidado com o exagero picante da comida, adotar um pouco de recato para meu tempero latino americano... e por aí vai. O melhor é ter abertura para perguntar se este ou aquele gesto não serão mal interpretados para a cultura deles. E descobri que a Sheeza é, em muitos momentos, muito mais liberal que eu!

Aprendi a dançar algumas danças, a falar urdu, tive as mãos tatuadas com henna, provei um prato (apimentadíssimo, beirando o insuportável), que ela me fez de jantar... e, diga-se de passagem, depois comeu de café da manhã.

Discutimos também o que eu realmene queria de café da manhã e ouvi um "Nossa, que esquisito", quando pedi só torradas com geléia, manteiga e chá.



A Shajia, irmã da Sheeza, e minha amiga também, não estava por lá. Havia ido para o Paquistão para conhecer um pretendente, amigo da família, que estava querendo se casar. Discutimos muito sobre a questão cultural, valores, relações humanas e descartabilidade das relações na sociedade ocidental. A Sheeza tem 22 anos e nunca ficou com um homem (nem com uma mulher).

Ela diz naturalmente que quer seguir os costumes do seu país, e a felicidade pra ela vai ser encontrar um homem interessante (alto, mais velho e inteligente!) que a família aceite e que seja o único homem da sua vida. Eu disse "Maravilha, Sheeza, que bom que você já sabe o que vai te fazer feliz".

Ela estranha muito e sempre a forma aberta como ouço todas as suas histórias de conceitos sem achar estranho, sem achar que aquilo é um costume absurdo... Sinceramente, acho que a nossa geração ocidental tem costumes tão absurdos quanto os que julgamos que os países árabes têm.

Ao falar sobre valores, sobre regras impostas,tradições, rituais rigorosamente vividos, ela comentou que, embora o mundo acuse a sociedade paquistanesa de ser muito conservadora, estrita, e associar isso à insanidade, ela não vê no paquistão tantas pessoas loucas, com problemas mentais, perambulando pelas ruas como via ali no Canadá. Estou refletindo sobre isso até hoje. P

assamos um almoço todo reforçando a idéia de que a saúde mental e psicológica realmente deve ser atribuída principalmente a fatores sociais e não biológicos.

A Sheeza tem um humor maravilhoso. Quando nos conhecemos, fiquei com receio de como abordá-la. Ela percebeu, fez uma cara de mistério, pôs as mãoes embaixo da roupa,como se escondesse algo... Aquelas roupas lindas, cheias de panos, que as paquistanesas usam, e falou meio baixinho em tom de ameaça "Cuidado, eu sou do Talibã!". Caímos na gargalhada e eu me apaixonei por ela.

Ela me ensinou muito sobre tolerência, sobre disciplina, espiritualidade. Sempre tive curiosidade sobre o porquê de os muçulmanos fazerem o ramadã. Um mês de restrição, em que eles só comem quando o sol se põe e antes de o sol nascer. Ou seja, jejuam das 6 das manhã as 7 da noite.

Sempre achei que era uma espécie de sacrifício em memória a algum período da história dos muçulmanos. Mas, não, ela apenas me disse que é um exercício de disciplina e auto-superação. Que, a cada ramadã, ela sente que sai mais evoluída, aceitando melhor algumas restições que a vida impõe e conhecendo seus limites.

Curiosamente, ela também contou que, usualmente, se engorda durante o ramadã. Eles acordam de duas em duas horas durante a madrugada e fazem verdadeiros banquetes. Os restaurantes mudam seus horários e a comilança é garantida.

A Sheeza estuda Ciências Sociais na Universidade de Toronto e pretende se casar nos próximos anos. Ainda não encontrou o pretendente... Que, para ela, tem que ser muçulmano, mas não precisa necessariamente ser paquistanês. Prometeu uma visita ao Brasil, mas só depois que conseguir voltar ao Paquistão para rever seus amigos e parentes. Desde que foi para Toronto, há 2 anos, para estudar e sair um pouco da dificuldade que é a vida para uma mulher no paquistão, não voltou para sua terra natal.

Nos despedimos num clima parecido com a despedida do congresso. Alegria e tristeza. Nunca pensei que veria minha amiga paquistanesa chorar. Foi especialmente tocante. Um dia antes da minha partida ela me pintou como se pintam as paquistanesas e fomos comprar presentes para o Antônio, meu sobrinho. Ela, pra variar, não ficou pra trás em apuradíssimo bom humor: comprou uma camiseta de neném (ele tem 3 meses) com uma foto do Che Guevara, escrito "I have no idea who this guy is" (eu não faço a menor idéia de quem seja este cara).



Enfim, cheguei no aeroporto. Fiz o check in, me livrei das malas e fui comprar chocolates no free shop. Para não terminar a viagem sem fatos inusitados e emocionantes, trombei com o Giba, da seleção de vôlei. Olhei pro lado e vi inúmeros atletas com o uniforme do Brasil. Estavam voltando da China, fazendo escala em Toronto.

Com tanta intensidade vivida nessas últimas semanas, nem me lembrei das Olimpíadas. O vôo atrasou algumas horas e um grupo de brasileiros que também voltava da China, para onde foram ver os jogos olímpicos, começou uma cantoria boa com um violão na sala de embarque. Fui interagir com meus conterrâneos... feliz da vida por ouvir português de novo, mas, principalmente, por sentir aquele energia brazuca!

Comentei sobre essa energia com uma mulher que estava ali perto e, para quem, depois notei, todo o pessoal estava olhando. Foi então que um homem jovem me abordou e disse "Você não sabe quem é ela? Tem que dar parabéns! Ela ganhou a medalha de ouro para o Brasil!". Com tanta saudade da minha terra, eu a abracei e agradeci a medalha, pedi desculpas por estar tão alheia e completei "Parabéns, e... você ganhou medalha em quê?"... ela me respondeu que foi em salto em distância e depois pediu licença, chamou um amigo e pediu: "Me filma um pouco com todo o pessoal cantando pra mim?". Era a Maurren Maggi, radiante e à vontade com toda a bajulação.



Fomos todos no mesmo avião. Voei ao lado do José Inácio Salles Neto, preparador físico da seleção masculina. Ele não se incomodou em me passar o quadro de medalhas do Brasil...Nem me julgou por estar totalmente alheia. Contou que era amigo do Paulinho Moska, me deu um bocado de broches oficiais das Olimpíadas e passou horas comigo falando sobre empreendedorismo social.

Ele ajuda a coordenar um projeto de vôlei que treina meninos da periferia do Rio de Janeiro, não para virarem atletas, mas para terem uma atividade de desenvolvimento para suas vidas. Para levar o esporte como um instrumento de integração social, de disicplina, de entretenimento e lazer para pessoas que têm quase nenhuma perspectiva.

Nos despedimos e ele me agradeceu pela agradável companhia. Eu retribuí, disse que o prazer era meu, e o parabenizei pela seleção , pelo trabalho , mas principalmente por achar tempo em sua jornada de duplo trabalho para se dedicar à causa social.

E assim cheguei ao Brasil... com a mala mais vazia (já que presenteei amigos com muitas coisas minhas, inclusive meu pandeiro e minhas havaianas), mas com o coração e a alma transbordando!

Empreendedor social: teoria e prática, reflexões

Por Ding Tian (jovem jornalista chinesa). Tradução, Helena Gomes.

Aconteceu durante o congresso, a oficina sobre o "Perfil Empreendedor segundo a Universidade de Laval", que sediou o Congresso. Cerca de dez jovens atenderam às atividades coordenadas por Guy Verret e Nadine Lemay. O "Perfil Empreendedor" é um curso especial oferecido pela Universidade que pode ser feito por alunos matriculados em qualquer curso, que tenham interesse em aprender a desenvolver projetos.

O curso pode levar de 4 meses até dois anos, e é bem flexível, com o objetivo de se adequar às especificidades dos projetos de cada aluno. Ao encerrar as atividades, os alunos recebem créditos no currículo acadêmico, ou seja, o curso "Perfil Empreendedor" vale como uma disciplina da faculdade.

A ofincina para o Congresso seguiu os principais conceitos do curso e durou cerca de três horas. Foi dividida em três partes: na primeira, fizemos uma auto-avaliação sobre nossas habilidades empreendedoras (criatividade e inovação, flexibilidade e capacidade, comunicação, habilidades de networking e de resolver problemas. Na segunda parte, discutimos conceitos essenciais ligados ao planejamento estratégico de um projeto, como: definição de objetivos, identificação de forças e fraquezas, ameaças e oportunidades. Na terceira parte, nos dividimos em dois grupos e discutimos o perfil pessoal de cada jovem empreendedor.

Refletimos sobre as características pessoais e valores que julgávamos mais valiosos para cada um. No grupo em que participei, tentamos chegar a um consenso e a conclusão final se definiu com a palavra chave "Open-minded" (mente aberta), que também acabou sendo o consenso de todos os participantes da oficina.

Em resumo, segundo o que é empreendedorismo para a Universidade de Laval, o que um jovem deve fazer antes de iniciar e gerir um projeto é:

1. Escrever as idéias de seu projeto e estruturá-las no papel.
2. Tirar as idéias do papel e ser capaz de apresentá-las e discutí-las com outras pessoas.
3. Sempre se perguntar, enquanto apresenta e divide suas idéias: isso é mesmo real, possível, ou é um sonho? Está claro como conseguirei atingir minhas metas ao longo do tempo?
4. Pensar sobre os diferentes aspectos do seu ambiente de trabalho durante a implementação do projeto: motivação, interesse, que competências precisam ser envolvidas, etc...
5. Identificar seu alvo final, e, ao pensar nele, considerar as condições, os fatores limitantes, pensar no passo a passo, e por último, mas não menos importante, (last but not least), seguir o ditado Francês que diz " Mantenha sua mente tão aberta (fresca) quanto a de uma criança".

Por Helena Gomes (jovem jornalista brasileira)

Empreendedor é uma palavra francesa que significa: "a pessoa que assume riscos e começa um novo negócio ou iniciativa". Este conceito está sendo discutido em diversas regiões do mundo e em diversos meios, seguindo uma tendência da sociedade moderna: a necessidade inevitável de tomarmos iniciativas para um mundo mais sustentável(ou para uma sociedade global mais sustentável).

O conceito "empreendedor" é amplamente usado pelo setor de negócios ou empresarial,(o businesse world), para descrever empresários ousados e bem sucedidos, que inovaram em suas áreas e sabem arriscar. Mas, para este artigo, estamos interessados em descobrir o que está por trás do empreendedor social.

Esta manhã, tivemos uma oficina sobre o perfil empreendedor em geral (que foi descrita no artigo acima) e, para mim, se confirmou tudo o que venho lendo sobre as características que distinguem um empreendedor de uma pessoa comum: iniciativa, criatividade, comunicação, habilidades de trabalhar em rede, coragem para assumir riscos, etc.

Bem, não interessa em que campo, em que área de atrabalho você pretende ser um empreendedor... Em geral, para empreender, você precisará dessas habilidades. Mas, a questão que coloco nesse jornal, para todos nós refletirmos é: o que diferencia um empreendedor social de um empreendedor empresarial? É com essa questão que vim para este encontro mundial de jovens empreendedores sociais. Para descobrir a essência comum aos jovens de realidades, culturas, regiões tão diferentes que optam por dedicar suas vidas para lutar por um mundo mais justo.

Ainda tenho muito para descobrir. Mas, o que posso garantir, até agora, é que, além de todas essas características mencionadas e discutidas, o empreendedor social tem paixão, tem valores humanos e sociais construídos muito profundamente. Os empreendedores sociais são extreamemente incomodados, indignados e intolerantes com a situação da sociedade, são extremamente conscientizados. Emanam uma energia especial que me faz acreditar que, sim, eles assumem riscos para começar um novo projeto, para tomar iniciativa (como o conceito define). Mas não o fazem como um homem de negócios que, antes de refletir sobre começar ou não o projeto, escreve suas fraquezas, forças, mede riscos, calcula retornos financeiros e etc.

O empreendedor social não vê que riscos, que retorno financeiro, que ameças o poderiam fazer desistir de seus projetos. Seus valores, seus ideiais não o permitem virar costas para a fome, para a discriminação de qualquer tipo, para a crise ambiental, para a desigualdade social... Não há "um grande risco" para impedir que arregace as mangas e comece a mudar sua realidade agora. Ou, como a frase que encerrou este artigo, em inglês "There is no such a thing as a big risk for a social entrepreneur".

Os dois artigos acima foram publicados juntos no jornal interno do World Youth Congress.

Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

As imagens da despedida

Reunião da delegação do Brasil: e agora, como vamos manter as discussões e tomar ações conjuntas daqui pra frente?

Da esquerda para a direita: Sofi(Argentina), Helena, Cris, Felipe (á frente, de preto), Paulo, Efraim, Daniel (á frente, de preto), Veronica (Quebec, morou no Brasil, trabalhando pelo Aiesec em projetos sociais), Ramatis e João Felipe (nosso coordenador).





Nosso grupo voltou para o Brasil com o desafio de oganizar ações, parcerias, e começar a fazer a Peacechild em nosso país. A proposta apareceu de um interesse mútuo do João Felipe, que trabalha da sede da Peacechild, na Inglaterra, e dos membros da delegação, que voltaram para o Brasil com a sensação e a certeza de que o grupo tem muito potencial para trabalhar junto.

Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

Como eu vim parar aqui? Sheila explica.

O texto abaixo foi feito por Sheila Saad, grande jornalista e amiga querida de Guaxupe. Foi publicado no ultimo final de semana em um jornal da cidade.



Helena Magalhães Gomes desembarcou em Quebec, Canadá, no dia em que completou 26 anos. O motivo, participar do 4º Congresso Mundial da Juventude (World Youth Congress) – de 11 a 21.08 - para discutir questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável, intercambiar idéias, projetos e, principalmente, definir com representantes governamentais e profissionais do setor, como contribuir efetivamente junto às suas comunidades.

Formada em Gestão Ambiental, pela ESALQ/USP, de Piracicaba, trabalhou durante um ano como trainee da Fundação Boticário, em Uberlândia, onde atuou em vários projetos de educação ambiental. Helena participará do encontro como jovem jornalista, junto com Efraim Neto, da Bahia. Os outros 10 componentes da delegação brasileira são empreendedores sociais.

Com o título Regeneration 2008, o evento reúne cerca de 600 jovens de todo o mundo. Foram 15 mil inscrições de aproximadamente 120 países, e a guaxupeana conquistou uma das 40 bolsas oferecidas pela Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional, que custeará toda sua viagem.

Helena também participou de dois congressos anteriores, do 2º, no Marrocos, em 2003, e do 3º, em 2005, na Escócia, como correspondente da Rádio Educativa FM de Piracicaba, que transmitia ao vivo os acontecimentos mais importantes. O primeiro evento aconteceu no Havaí, em 1999, com apenas 1 representante do Brasil.

Esse encontro mundial oferece diversas oficinas e atividades culturais. Acontecem plenárias e grupos de trabalhos, os delegados de cada país ficam espalhados, favorecendo a interação multicultural. Helena participará das oficinas O perfil do empreendedor social, Evolução Individual – Evolução Planetária, Arte como meio de transformação e outras.

A jovem jornalista guaxupeana vai cobrir o evento que será divulgado no blog

www.comcienciaambiental.blogspot.com e, possivelmente, na rádio UFMG. “A gente só consegue apoio das mídias educativas”, informa. Ela e outra jornalista, Pochi Tamba, da República dos Camarões, irão produzir um documentário em vídeo sobre as características pessoais desses jovens. “Pochi precisava elaborar uma reportagem para a TV em que trabalha e eu tinha esse projeto. Decidimos fazer juntas, vamos voltar com tudo pronto”, relata. Com a câmera em punho, parte da sua bagagem, Helena irá captar depoimentos de vários empreendedores sociais.

Os objetivos da jovem jornalista guaxupeana são claros: “Quero conhecer o histórico de vida do empreendedor social e qual sua motivação. São pessoas de realidades diferentes, se eu descobrir o que elas têm em comum terei atingido a essência do meu projeto”, explica. E ela já começou relatando as experiências de vida da sua companheira de viagem Ionara Silva, 22, estudante de jornalismo e exemplo de protagonismo juvenil.

“Como um dos temas do Congresso é sustentabilidade, o ideal sempre, em qualquer ocasião, é sermos práticos, não desperdiçar nada, a começar por nossa energia física. Levo comigo a parafernália necessária para trabalhar no blog e na cobertura do evento: notebook, filmadora, máquina fotográfica, entre outros acessórios essenciais”, destaca em seu blog, pouco antes de embarcar nessa emocionante viagem.



Sheila Saad

Imagens

Abaixo, algumas imagens do evento.

Aproveito o post para compartilhar uma frase que ouvi de um delegado brasileiro aqui presente e achei muito interessante. Obrigada, Felipe Rabello.

"Quando voce julga alguem, voce nao esta definindo aquela pessoa, voce esta definindo voce mesmo".


Intervencao



Eu(xadrez) e Cris (lantejolas!) no show de talentos multi culturais



Membros da organizacao de juventude das nacoes unidas



Marcha da juventude em Quebec



Intervencoes culturais



Stand do Brasil



Campus da universidade que sedia o congresso



Delegados